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Arquivo para maio 14th, 2016

Pacem in Terris, a visão católica

14 mai

A encíclica do papa João XXIII, publicada em abril de 1963, dois anos depois dePaceInTerris construção do muro de Berlim e em meio a guerra fria (conflito em URSS e EUA) e a questão dos mísseis instalados em Cuba que causou tensão entre as duas potências e também em todo planeta.

 

O momento é outro, o muro de Berlim caiu, a Rússia é apenas uma parte da antiga União Soviética, e muitos dos países hoje sequer podem ser pensados como socialistas, mas alguns valores são fundamentais para serem relembrados daquela encíclica.

 

A primeira parte tratava de uma reflexão sobre “direitos e deveres da pessoa humana” justamente como um dos fundamentos da paz, a segunda entre os “indivíduos e poderes públicos, em cada comunidade política”, que deve sempre ser “orientada para promoção do bem comum”, e, a terceira toca nos problemas das minorias, dos refugiados políticos, do desarmamento e dos povos subdesenvolvidos.

 

Mas o ponto de reflexão que começa nesta terceira parte, e é parte essencial da quarta, afirma a “existência de direitos e deveres internacionais, [que] se fundamentam nas normas de verdade, de justiça, de solidariedade e de liberdade”, enfim o problema mundial.

 

A quarta parte da encíclica papal analisa “as relações dos indivíduos e das comunidades políticas com a comunidade mundial, preconizando a instituição de uma autoridade pública universal”, dito em outras palavras, a ideia de uma governança mundial diferente das funções que exerce hoje a ONU, pensando “livremente as suas atribuições dentro da linha do bem comum”, e encaminha a quinta parte para qual deve ser a “participação católica”.

 

É importante porque antecipa um grande problema de nosso tempo, pensar a paz em termos globais, sem esquecer os problemas de justiça, solidariedade e liberdade entre os povos.

 

Na verdade segundo muitos pensadores, este problema é urgente e não se pode mais esperar por soluções globais, por exemplo, de combate a corrupção, a segurança alimentar, ao problema ecológico e econômico que estão na base de muitos conflitos, além é claro da tolerância religiosa que serve de combustível à guerra.