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Arquivo para maio, 2013

O que a 4G pode proporcionar

07 mai

A copa das Confederações está aí, como anda seu celular, está fácil de fazer ligações, nas capitais dos estados que receberão jogos a promessa era de uma velocidade 10 vezes superior, mas e as antigas bandas como vão ?

No leilão das frequências de 4G as operadoras que adquiriram os lotes nacionais do serviço “em todo” o país foram: Vivo, Claro, Tim e Oi.
O principal salto esperado com a chegada do 4G seria a velocidade da internet móvel, que a Anatel e diz que seria um aumento em 10 vezes na nova geração, mas o problema maior é o download de conteúdos.

O tempo de download nos serviços 3G para fotos que deveria ser na faixa de 3 segundos é de aproximadamente 12 segs, já o tempo para músicas sobe de 7 para 36 segundos, enquanto o de vídeos de aproximadamente 45 minutos para 3hs numa taxa de 1 GB de banda.

Ao analisar os dados que o mercado apresenta, surgiu uma faixa nova chamada de 3,5 G ou seja, pode ser que isto seja o 4G real ou o prometido do 3G mas que não aconteceu, uma vez que nunca se conseguiu observar esta seria uma faixa do 3G real, no quadro acima as taxas em “rosa” verificadas.

Os serviços (esperados) para o 4G são de 1,6 segundos para fotos, quase 5 segundos para músicas e 28 minutos para vídeos, mas será que vão funcionar ?

Vamos esperar os resultados, e as cobranças da ANATEL, agora terá gente de fora de olho e gente trabalhando (jornalistas e repórteres) que usarão a rede.

 

Jornalismo investigativo e crowdsourcing

06 mai

Algumas pessoas me interpelam sobre o que defino como enfoque jornalístico, que é especial para novas mídias mas não exclusivo, noutros continentes há uma definição parecida que é o “jornalismo investigativo”, Paul Lewis tem falado e fez até um TED sobre o tema, Paul Bradshaw tem um livro a respeito, mas o termos tem uma origem clara.

DeBurgh em 2007, definiu o jornalismo investigativo como “distinto do trabalho que é aparentemente semelhante ( o de descobrir na verdade e identificar falhas dela) que é feito por policiais, advogados e auditores e órgãos reguladores, [que é feito] no sentido de que não se limite a meta, não seja legalmente fundado [no que é geralmente feito] ganha dinheiro para com os editores de mídia.

Vejo que a definição de DeBurg é satisfatória para aquilo que é buscado no jornalismo com as novas mídias:

“O termo é notoriamente [o de jornalismo] de problemáticas e contestações: alguns argumentam que todo o jornalismo é investigativo, ou que a recente popularidade do termo indica o fracasso do jornalismo ‘normal’ para manter os padrões de investigação. Esta contestação é um sintoma dos diversos fatores subjacentes ao crescimento do gênero, que vão desde jornalistas de ‘próprio sentido de um papel democrático, a ambição profissional e editores com ‘objetivos comerciais e de marketing’ ”.

A tecnologia com uso de computadores começa a desempenhar um papel cada vez mais importante na impressão de jornalismo de investigação, exemplos dados são: A investigação de Stephen Grey no programa ´rendição extraordinária” da CIA (Grey, 2006) foi facilitada pelo uso de softwares como o de análises de Notebooks, o que lhe permitiu analisar grandes quantidades de dados enviados e identificar fluxos, como no caso das eleições do Irã, onde um email foi interceptado ou nos ‘warlogs “do Iraque e do Afeganistão, com análise de centenas de milhares de telegramas diplomáticos, no qual Assange foi ajudado por muitas pessoas.

Há um “crowdsourcing investigativo” como parece indicar Paul Lewis em seus talks, a multidão tem interesse na verdade.

 

Sujeito, objetos e tecnologia

04 mai

O homem ligado ao mundo e como sujeito coletivo, andará na infância da humanidade ligada ao mito, uma ideia primitiva que o mantinha, ainda que inconscientemente, ligado ao cosmos, a natureza e a seus semelhantes.

Toda antiguidade clássica até o momento em que o homem se põe a ver-se como sujeito e se sente separado do mundo e dos objetos, visto como Aristóteles como mundos dos seres e dos entes, por Platão como Mundo da ideias e Mundo Sensível, o homem se vê como sujeito do mundo, como cidadão, mas se vê e se verá na modernidade como separado desta natureza-mundo que o gerou. Nasce a consciência de ser e a cidadania.

A afirmação deste sujeito separado do mundo objetivo, construirá na modernidade um EU extremo, e a fusão aos objetos em face da não compreensão da relação com estes, cria uma fusão do ser com o ente.

A possibilidade de retomada da relação do sujeito pensando com os objetos pensados, a fusão fetichista de sujeitos com os objetos, a ponto de confundir-se com eles, é negação da consciência.

No pensamento moderno, tanto a filosofia pragmática como a hermenêutica caíram na armadilha idealista, ou do método racional como refletem outros, afastaram-se da tradição da filosofia desde a superação dos mitos, que é da consciência e não a separação do sujeito pensante dos objetos pensados.

Esta fusão do ser com o ente, o drama da modernidade, está assim refletido por Habermas:
“…no lugar do sujeito solitário, que se volta para objetos e que, na reflexão, se toma a si mesmo por objeto, entra não somente a ideia de um conhecimento lingüisticamente mediatizado e relacionado com o agir, mas também o nexo da prática e da comunicação cotidianas, no qual estão inseridas as operações cognitivas que têm desde a origem um caráter intersubjetivo e ao mesmo tempo cooperativo”. (Habermas, 1989, p.25).

É a ação prática, cooperativa como afirma Habermas, ou colaborativa como afirmam todas as boas práticas do uso da tecnologia multimidiática atual, que podemos oferece um agir comunicativo eficiente.

Negar a presença das tecnologias na vida cotidiana, é um ao de esquizofrenia alienante, porque mesmo as pessoas que propõe esta negação não estão livres da tecnologia, vivem no mundo atual com uso de computadores, tabletes e celulares.

Bom uso requer conhecimento do objeto, boa relação e consciência do papel deles na relação social.

HABERMAS, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Universitário 1989.

 

Pontes, paradoxos e tecnologia

03 mai

Numa guerra os primeiros alvos são as pontes, porque elas “ligam” lugares e pessoas que uma vez isolados, começam a servir aos interesses bélicos de destruir e isolar.

Mas o isolamento cultural, religioso e político pode ser causado por um isolamento físico natural, terras longínquas de difícil acesso e comunicação, ainda há regiões assim no planeta.

A tecnologia entra aí para unir, facilitar o acesso e construir pontes entre povos de culturas diferentes, mas nem tão distantes quanto se imagina.

Re-assisti um filme de Win Wenders sobre as transformações culturais da capital do Japão no pós guerra, e da Tóquio recente, e podemos perceber mudanças na cultura da família, dos costumes, de certa forma muito parecida com a cultura ocidental, devido a tecnologia, como ressalta o filme.

O filme (Tokyo Ga, 1985) na verdade é quase um documentário sobre o diretor japonês Yasujiro Ozu, de que filmou o cotidiano japonês desde a década de 20, quando ainda havia o cinema mudo.

A internet era nascente e a Web não existia, mas ele conta os salões de jogos sempre cheios e vai filmar um prédio onde pessoas ficam horas jogando golfe sozinhas, mas aos milhares, eram os games desta época.

A TV e de certa forma o cinema criaram em nós uma cultura uniformizada, com falsas pontes porque nos traziam de volta ao mesmo terreno comum, o da indústria cultural e seu interesse pelo consumo.

Ao mesmo tempo paradoxalmente nos colocou “numa aldeia global”, e na aldeia como dizia Honoré de Balzac, se vive em público, então começamos a enxergar “desfocadas” as culturas de todo o mundo.

Desfocada porque nossa visão, passada por jornais e TVs era centralizada na cultura ocidental dominada pelos interesses econômicos e políticos, interligados e financiados pela cultura política vigente.

Com a mundialização é possível enxergar a cultura dos outros continentes, que agora nas novas mídias, se posicionam numa nova ponte, defender a cultura local e olhar a cultura do outro, mas pelo olhar da multidão em fotos, vídeos e textos compartilhados nas redes sociais.

 

Desconfiança, gerações e opções

02 mai

O caminho de desconfiar de tudo que é novo, é o caminho da facilidade, mas que pode levar a diversas fobias quando o novo que era virtual, se atualiza, ou seja, passa a ter uma existência.

Shakespeare dizia que os adultos desconfiam dos jovens, porque já foram jovens, mas deviam imaginar que alguma coisas que os pais desconfiavam é porque eram “novidades” que não existiam na juventude deles, e na medida que o mundo evolui a história se repete, mas como novidades “novas”.

Alguém que tenha mais de 30 anos nasceu num mundo sem internet, mas onde a TV ocupou um lugar onipresente na família, haviam pessoas que respondiam “Boa noite”, por exemplo, ao Cid Moreira.

Muitas famílias impuseram limites aos filhos de ver TV, mas sua presença na cultura, nos costumes e até mesmo na política era inegável, e as novela monopolizaram a vida “cultural” por muito tempo.

Mas a TV nos pacificava e nos individualizava, não era possível conversar na hora do noticiário e da novela, e muitos estavam confortáveis porque ao menos vimos a TV “em família”, muda é claro.

Alguns desligavam a TV e proibiam (aos jovens), eram tempos mais autoritários e de menos diálogo.

Veio a internet e depois a Web, e a cena se repete, mas a novidade é que somos proativos e podemos decidir sobre os conteúdos, além de poder criar nossos próprios conteúdos, sendo uma mídia menos pacificadora e que nos possibilita mais participação, mas o choque de gerações continua.

A comunicação evoluiu e continuará evoluindo, e adultos incapazes de se atualizar continuarão protestando, mas o importante é onde ficam as comunicações, os diálogos e as alternativas.

Ler era uma alternativa a TV e continua sendo na Web, a vantagem é que agora se pode ler pela Web, e mais ainda se pode produzir conteúdo e compartilhar com os outros, o Cid Moreira nunca respondeu boa noite a ninguém, com a Web ele poderia responder a um ingênuo boa noite do telespectador.

A evolução continuará a dar mais opções de conteúdo, de participação e compartilhamento.

Ela também faz crescer a convergência dos dispositivos, tabletes, tv ou smartphones tem todas mídias, saber optar será importante.

 

4G no Brasil é questionado

01 mai

Aproximando a Copa das Confederações algumas operadoras anunciam o lançamento do 4G, a maioria exatamente onde haverá jogos da Copa, mas consumidores questionam.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) está questionando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre este serviço oferecido pelas operadoras no Brasil.

O ofício entregue à agência argumenta que a limitação de downloads limita a alta velocidade da internet 4G e torna o serviço muito breve, restringindo justamente esta que seria a grande vantagem do novo serviço.

Para explicar a maquiagem no serviço, a coordenadora da Proteste, Maria Inês Dolci, afirma que o consumidor passa por uma situação similar semelhante a princesa que perde o sapatinho a meia noite , disse “paga por uma carruagem que no meio do caminho vira abóbora”, quer dizer no meio de um download você pode perder o serviço.

Ora quem contrata o serviço 4G, contrata-o porque quer transmitir grande quantidade de dados de forma rápida, se este serviço tem uma limitação, ele não cumprirá ao que é contratado.

Assim as operadoras para oferecer o referido serviço não podem impor um limite na quantidade de dados que ao atingir uma certa quantidade, tem a velocidade da rede reduzida, elas estão portanto enganando o consumidor, oferecendo um serviço que pode ficar no meio.